Psicodrama
 
Como surgiu o psicodrama:
 
O criador do psicodrama foi Jacob Levy Moreno, nasceu na Romênia em 19 de maio de 1892 e faleceu nos EUA em 1974. Médico, foi um homem de ampla cultura e fortes idéias religiosas e filosóficas, amante do teatro e incansável investigador do homem e seus vínculos, deixou-nos uma obra escrita e um movimento psicodramático que abrange a América, Europa e Ásia.
 
Segundo Moreno as experiências que originaram o Psicodrama são quatro e elas se entrelaçam através do tempo até a construção da técnica psicoterápica. São elas: a) a brincadeira de ser Deus. Aos quatro anos e meio Moreno improvisou com outros companheiros essa brincadeira.
 
Construíram sobre a mesa um céu com cadeiras amontoadas, de maneira a chegarem até o teto. Moreno assumiu o papel de Deus e seus amigos eram os anjos, ele tentou voar a pedido dos outros meninos e fraturou o braço direito. b) a revolução nos jardins de Viena, de 1908 a 1911 onde foram feitas improvisações com grupos de crianças onde instigava as crianças a se rebelarem contra o mundo estereotipado dos adultos a criar normas e regras para uma sociedade infantil adequada as suas necessidades e respeitada pelos maiores. c) a dramatização de 1º de abril de 1921 (data do nascimento oficial do psicodrama).
 
No Komodien Haus  de Viena,o cenário era um tronco vermelho e uma coroa dourada que os protagonistas usariam como coroa ao fazer o papel de rei.
 
A senha era o que faria cada um dos protagonistas no papel de rei para organizar e dirigir corretamente o país? O público faria o papel de jurado. Nenhum foi aprovado. d) O caso Bárbara, jovem atriz do Teatro da Espontaneidade, fundado por Moreno em 1921, que após este caso transformou-se em teatro terapêutico, em 1923.
 
Ela era atriz e interpretava papéis românticos e ingênuos muito bem, casou-se e seu marido foi falar com Moreno e pedir ajuda, pois ela era o oposto em sua vida pessoal. Moreno iniciou um plano onde a induziu para interpretar papéis que se aproximassem da sua vida íntima, seus aspectos de ira e conduta patológica iam sendo modificados à medida que o tratamento caminhava.
 
Jorge o marido passou de espectador a ator e, junto com Bárbara, representou cenas de sua vida familiar. Finalmente a atenção centrou-se sobre suas respectivas famílias, histórias pessoais e planos futuros, completando assim a visão global do casal. Com isso surge o psicodrama como técnica terapêutica, em 1923 ele publica seu livro Das Stegreif-theater no qual surgem as idéias da Sociometria, da Psicoterapia de Grupo e do Psicodrama.
 
Em 1925, indo morar no EUA, desenvolveu e sistematizou suas descobertas: a socionomia que se divide em sociometria, sociodinâmica e a sociatria. A socionomia é o estudo do grupo e suas relações. A sociometria visa medir as relações entre os membros do grupo, evidenciando as preferências e evitações presentes nas relações grupais. Utiliza como método o teste sociométrico. A sociodinâmica se interessa pela dinâmica do grupo e utiliza como método o role-playing ou jogo de papéis.
 
Já a sociatria busca tratar as relações grupais e utiliza três métodos: o sociodrama, a psicoterapia de grupo e o famoso psicodrama.
 
Em 1928, realizou sua primeira experiência psicodramática na América e de 1929 a 1931 dirigiu sessões de Psicodrama Público, posteriormente Psicoterapia de Grupo com suas idéias de Dinâmica de Grupo, depois lança as bases da Sociometria Científica e do Sociodrama, em 1936 constrói o Teatro Terapêutico onde centraliza uma clínica psiquiátrica e um instituto formativo, depois publicou vários trabalhos, livros, revistas e uma série de teatros. Em 1942 cria a primeira associação que agrupa psicoterapeutas de grupo e depois funda o Moreno Institute em Nova Iorque e o trabalho só se ampliou.
 
A técnica do psicodrama.
 
O psicodrama é uma técnica psicoterápica com origem no Teatro, na Psicologia e na Sociologia. Consiste em um processo de ação e interação onde o núcleo é a dramatização, envolvendo o corpo todo e não apenas a mente como na maioria das técnicas psicoterápicas. O conceito de encontro está no centro da psicoterapia de grupo e abrange a totalidade de seu ser. O encontro vive no “aqui e agora” indo além da empatia e da transferência, forma um “nós”.
 
Ele pode ser utilizado para tratamentos individuais, de casais, familiares e grupais.
O enfoque centrado no indivíduo leva, inevitavelmente, ao se reconstruir a cena, ao contexto social em que ela se desenvolveu, quando o enfoque é no grupo social a cena é dramatizada, os personagens que constituem esse grupo são individualizados e caracterizados. A dramatização permite uma visão conjunta e uníssona desses dois enfoques, suas interações e influências mútuas.
 
O psicodrama inclui o indivíduo em seu meio, não o trata como ser isolado, ele reconstrói o contexto de cada indivíduo e o põe em movimento, investiga os vínculos e suas características. As interações manifestam-se e já não é mais o indivíduo e sim o grupo que expressa suas inter relações.
 
Existem várias técnicas do psicodrama com aplicações bem específicas, são elas o desdobramento do eu, a inversão de papéis, o solilóquio, o espelho, a auto-apresentação, a interpolação da resistência, a realização simbólica, a técnica sem palavras, o sociodrama, a psicodança, o psicodrama psicanalítico e o psicodrama com marionetes.
 
A dramatização de uma cena possui três momentos na ação dramática que são: O AQUECIMENTO (é quando o grupo se prepara). Os participantes desenvolvem um tema e com o afloramento de um protagonista grupal, dá-se início a um segundo momento ou fase que é a REPRESENTAÇÃO propriamente dita, a cena dramática.
 
Aqui ganham importância os eu-auxiliares, que serão os encarregados de encenar os personagens contracenando com o protagonista os personagens reais ou fantasiosos, aspectos do paciente, símbolos do seu mundo. O terceiro momento ou fase é o COMPARTILHAMENTO, é o retorno do protagonista ao grupo, momento em que o grupo compartilha seus sentimentos e vivências, tudo o que lhes foi acontecendo durante a cena, as ressonâncias que ele produziu.
 

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