29 de janeiro de 2010
Trabalhando com a geração Game Over

Um recente estudo patrocinado pela Universidade Harvard, mostra que existe um claro divisor de águas relativo à construção de valores entre as pessoas que jogaram games na infância e aquelas que não jogaram. As pessoas que jogaram games durante a idade de formação têm a atitude que “A vida é um jogo” para fora da telinha.  Isso se traduz em algumas “verdades” que são levados ao trabalho e à vida adulta. E não poderia deixar ser diferente disso, já que as pessoas formam seus valores entre os 8 e 15 anos, idade que, para a grande parte da geração Y, games dominaram sua forma de lazer. O que nós, como profissionais, líderes e gerentes, precisamos fazer para trabalhar com essa geração? Acredito que a primeira coisa a fazer, é entender suas necessidades.  Então, o que foi que essa geração aprendeu com os games?  Entenda um pouco esses conceitos para entender melhor como pensa a Geração Y, que eu apelidei como Geração Game Over.

  • Sempre posso começar de novo. Posso errar muitas vezes, tenho várias chances de errar antes que o jogo termine. Em último caso, se eu errar demais ou se não gostar do jogo, Game Over. Sempre posso começar de novo. Não existe nenhum problema, nem vou ser mal visto se tiver que fazer isso.
  • A melhor forma de aprendizado é tentativa e erro. Eu só consigo evoluir no jogo, errando. Errar faz parte da minha evolução. Não gosto, mas qual é o problema com isso? Em ultimo caso, começo tudo de novo.
  • Para ganhar preciso ter as ferramentas certas. Preciso conquistar minhas ferramentas, meu arco de ouro, minha visão especial ou meu revolver de luz. Uma vez que tenho essas ferramentas estou pronto para vencer.
  • Sempre existe uma solução. Todo jogo tem sua solução. Não existem situações ambíguas ou resultados pouco claros.
  • Estou no comando do jogo.  Sou o herói, dou o direcionamento ao personagem, determino com será sua atuação. Tenho controle do risco que quero correr.
  • Posso ser quem eu quiser.  Desde um piloto de Mirage, a um Comandante da Legião Romana, ao James Bond, ou qualquer outro personagem. Gosto de personalização, ser único, escolher a minha roupa, personalizar o meu skate, personalizar o meu quarto e a sala. Não entendo esse negocio de diversidade, hierarquia, diferenças.  Não existem essas diferenças. Respeite que eu quero ter minha individualidade.
 
E os games também me fazem ter uma visão muito própria da vida que tem influência direta em como eu trabalho.
  • Meus pares são os que mais entendem do jogo. Cada um de nós conhece uma parte diferente do jogo. E quanto mais amigos ou conhecidos eu tiver que me mostrem as dicas, melhor eu jogo e ganho mais rápido.. Em contrapartida, eu também divido com eles os meus conhecimentos. Não existem segredos para quem joga. O objetivo é dividir informações para que todos possam ganhar. Entendo que é muito bom confiar em especialistas. O meu networking pessoal é o que me faz vencer na vida.
  • O jogo me dá feedback imediato. Rapidamente posso avaliar o que estou fazendo certo ou errado: o feedback é imediato. Não tenho dúvidas sobre meu desempenho. Sei quando estou indo mal porque perdi muitas vidas, sei que estou indo bem porque tenho muitos créditos. Esse feedback permite que eu ajuste minhas estratégias. Necessito sempre saber como estou indo.
  • Nos jogos, o objetivo, a meta e as premissas são estipuladas e claras. Sem isso não sei jogar. Todo jogo tem uma história que explica o contexto e mostra porque  me encontro nesta situação. Todo jogo e todas etapas do jogo têm um objetivo, uma missão e uma tarefa clara. Se não houvesse essas definições, eu não saberia por onde começar, nem em quem direção ir.
  • Não preciso entender o porquê, preciso apenas saber para que serve. Tenho várias ferramentas à minha disposição. Não preciso entender como elas funcionam ou porque foram criadas. Preciso somente entender para que servem e em que momento eu preciso empregá-las.
  • Faço muita coisa ao mesmo tempo. Para ganhar, tenho que poder prestar atenção a muitas coisas ao mesmo tempo, Resolvo problemas rapidamente. Sei administrar meu tempo. Se me derem apenas uma tarefa, ou, uma tarefa por vez, fico logo desmotivado. 

     

Várias dessas características mostram que essas pessoas estão mais preparadas para o futuro do que se pensa.  Essa geração lida melhor com mudança do que qualquer outra. É melhor em administrar riscos e não se desanima quando as coisas não saem exatamente da forma como planejaram. É só Game Over ou começar de novo. Jogos ensinam as pessoas a procurarem soluções mais criativas. Também ensinam as pessoas a se concentrar, e lidar com múltiplas variáveis ao mesmo tempo, afinal você só ganha o jogo se não se deixar distrair.
 
Por outro lado, é necessário redirecionar alguns conceitos.  A vida nem sempre permite um Game Over, ou começar de novo. Existem alguns erros, ou algumas decisões que fazemos que têm consequências permanentes.
 
Outra grande surpresa para essa geração é que não existem respostas claras ou soluções corretas. E também que, nem sempre quem tem todas as ferramentas, ganha o jogo. Não são soluções, e sim escolhas, cada uma com consequências diferentes e que devem ser avaliadas.  Um dos maiores desafios para essa geração é lidar com paradoxos e ambiguidades.
 
É uma geração que é altamente motivada por desafios. Para isso é necessário explicar bem o contexto no qual esse desafio está inserido. O trabalho não deve ser imposto, e sim contextualizado. Tem que ter um significado, parecendo um pouco como as historinhas que aparecem antes de qualquer jogo. E não se esqueça das metas, desafios: é assim que os jogos sempre começam. Quando o jogo começa deixe que façam do seu jeito, permita que façam múltiplas coisas ao mesmo tempo, mas não deixe de dar feedback constante.
 
Como essa geração está habituada a trocar informações com amigos e colegas, ela sempre vai procurar soluções novas e explorar alternativas com os outros. Portanto é necessário  explicar as fronteiras éticas dessa relação, deixando claro quais informações são consideradas confidenciais na empresa.
 
As pessoas dessa geração sabem que cada pessoa é única,  respeitam a individualidade dos outros e podem pertencer a vários grupos, comunidades ou tribos. Não deixe de fazer da sua empresa uma comunidade a qual eles pertencem. Respeite a individualidade deles nas roupas, no jeito, nas tatuagens.  E por ultimo, é uma geração de heróis que gosta de brilhar.
 
Andrea Huggard Caine
Para a Revista Carreira e Negocios

 

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